sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Pinheiro e a mentira em rede

Jadson Oliveira

Peço licença ao companheiro Levi Vasconcelos para usar seu texto, incluindo o título. Prefiro transcrever, pois não escreveria melhor, embora os leitores deste blog já devem ter lido a nota em A Tarde de ontem, dia 16:

Os processos divulgados pelo site Congresso em Foco envolvendo o deputado Walter Pinheiro para induzir os leitores a pensarem tratar-se de um “ficha suja” chegam a ser hilários. Um, iniciado em 21 de agosto de 1998, a partir de um auto de infração de R$ 480, aplicado pela prefeitura por ter colocado propaganda eleitoral (uma atribuição da Justiça Eleitoral, quando é o caso) numa lixeira da Av. Sete de Setembro (ainda pendente de parecer da Procuradoria da Prefeitura de Salvador). Outro, de 2001, é uma ação popular contra a Prefeitura de Madre de Deus por ter dado o nome de Waldeck Ornelas, pessoa viva, a logradouro público, assinado conjuntamente pelos deputados federais Walter Pinheiro, Nelson Pelegrino e Jaques Wagner (hoje governador). Ou seja, de acusador, passou a réu.

O caso suscita um bom debate sobre os blogs de conteúdo jornalístico. Um publica, outro copia quase sem apurar (vezes citando a fonte, vezes não).

Lesivo para a vítima de má informação, um risco para os jornalistas blogueiros. No dia em que um lesado sair buscando compensações indenizatórias em rede, talvez haja uma melhor reflexão sobre os cuidados do ofício”.

Eis aí o primoroso texto de Levi. Em um blog (parece que houve repetições da mesma nota), o redator, depois de falar da existência de processo, acrescenta: “Não está claro o objeto da ação contra o prefeiturável – pode ser, por exemplo, uma cobrança de IPTU -, o que seria extremamente desagradável para quem se vê habilitado a conduzir uma cidade pobre e carente como a capital baiana, mergulhada em dívida tendo como um dos motivos a alta inadimplência no pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano”.

Quer dizer, o blogueiro/jornalista (a revista Imprensa, de setembro/2008, dá sugestiva chamada de capa: “Blogueiro não é jornalista”) diz que “não está claro o objeto da ação”, em seguida, levanta a hipótese de cobrança de IPTU, e sapeca um discurso moralista como se a hipótese inventada por ele se transformasse, num passe de mágina, em verdade verdadeira.
É de lascar!, como diria o nosso inesquecível José Irecê. Irresponsabilidade ou coisa pior?

Correio e Tribuna da Bahia repercutiram também a leviana suspeita contra Pinheiro. A Tribuna teve o cuidado de fazer o título com o candidato negando, menos mau. Mas só o fato do assunto estar em discussão já é ruim para o envolvido, mesmo porque a imagem dos políticos é péssima (com justiça, na maioria dos casos). O pobre mortal, na dúvida, faz um muxoxo: “Ih! esses deputados... não sei não... deve ser verdade...”

Um amigo meu, versado nessas coisas da política, conta que o velho Luis Viana Filho, com aquela sapiência de anos e anos no poder, dizia que quando um político tem de dar as caras para responder uma denúncia, se justificar perante a chamada opinião pública, não é bom. Em qualquer hipótese, não é bom.

2 comentários:

Max da Fonseca, disse...

Informação é algo muito perigoso, ainda mais quando essa é manipulada por um grupo de 'vaidosos descuidados'... sempre achando que a sua opinião é a verdade absoluta; vivendo o sonho da superioridade ideológica... e ainda usando de sua eloqüência pra mover opiniões.

Mônica disse...

Esse tal de Congresso em Foco não merece a menor credibilidade. Carimbar uma pessoa como ficha-suja por esses processos citados no site é uma atitude escancarada de má fé. E divulgar isso na imprensa, como se fosse uma fonte séria, é pior ainda.