terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Israelense já nasce com uniforme e metralhadora?

José Bomfim


Mais uma vez vem de Socorro Araújo ótimas informações para o nosso dia-a-dia de notícias. A respeito do massacre do governo israelense na Faixa de Gaza, uma jornalista de Israel fala sobre o assunto, demonstrando principalmente o quanto é terrível para uma nação ficar à mercê do poderio militar.

A seguir, é Socorro Araújo que faz a introdução para a entrevista de Amira Hass.



Amira Hass (em primeiro plano), jornalista israelense


‘Estava pensando como desejar pra vocês um feliz ano novo num momento como este sem parecer insensível diante do que acontece na Terra Santa. Como ver imagens de crianças mortas por estilhaços de mísseis e enviar um cartão com estouro de champanhe?

Mas, acreditem, achei um motivo pra desejar, sim, um feliz ano novo. Lembram a música, acho que de Gonzaguinha, que diz "fé na vida/fé no homem/fé no que virá..."? Pois bem, foi mesmo no meio das notícias desse conflito que encontrei o personagem do meu cartão de esperança no futuro e de fé no homem. No caso, uma mulher, uma jornalista chamada Amira Hass. Filha de sobreviventes do holocausto, ela foi a primeira e única jornalista judia israelense a se instalar no território palestino ocupado pelas forças israelenses. Seu trabalho como correspondente do Haaretz, o principal jornal liberal do país, começou em 1993 na Faixa de Gaza. De lá foi para Ramalá. "Me chamam de correspondente para assuntos palestinos; na verdade, deviam dizer que sou especialista em ocupação israelense", diz ela.

Bom, gente, este texto foi tirado de uma matéria feita com ela em 2004 num jornal espanhol e publicada agora no blog Amálgama, mas Amira continua lá, ou pelo menos continuava até o início deste mês, quando foi detida por autoridades de Israel em Sderot, por ter entrado ilegalmente na Faixa de Gaza. Essa corajosa repórter israelense, respeitada pelos palestinos, pode substiuir neste instante a imagem daquelas crianças palestinas mortas.

Vejam um pouco sobre ela na matéria de Marco Lacerda no Amálgama”:

- Uma série de reportagens e colunas escritas por Amira entre 1997 e 2002 para o Haaretz foi recolhida no livro Crónicas de Ramala, inédito em português e publicado em espanhol pela editora Gutenberg Galaxy Madrid (2004).

Os textos são um grito contra o sofrimento da guerra; expressam a opinião de uma jornalista independente e muitas vezes indignada com a dominação imposta aos palestinos por seu país. "A existência de Gaza explica toda a saga do conflito palestino-israelense", afirma. "É a contradição do Estado de Israel: democracia para uns e exclusão para outros".

Impedidos por lei de circular livremente, os palestinos são forçados a um regime de confinamento e toque de recolher. Tornaram-se habituados a viver em perigo constante, porque, onde quer que estejam, estão na mira de armas israelenses. Em certa ocasião, um menino, intrigado com a onipresença militar, perguntou à jornalista: "Os judeus já foram bebês como nós, ou já nascem crescidos, de uniforme e metralhadora?"

Amira nasceu em Jerusalém no ano de 1956. Estudou história na Universidade Hebraica e em Tel Aviv, recebeu prêmios do Instituto Internacional de Imprensa e da UNESCO por seu jornalismo independente e de denúncia."

Trechos da entrevista:

A criação do Estado de Israel foi um erro?

A criação do Estado de Israel deve ser entendida com base nos eventos históricos que a precederam, especialmente o genocídio perpetrado na Europa por sociedades avançadas. O sionismo, cujo objetivo foi estabelecer uma casa para os judeus, era uma das alternativas fornecidas pela diáspora para enfrentar o anti-semitismo, a perseguição e discriminação. Considerar a criação de Israel um erro seria ignorar uma das maiores barbaridades concebidas pela civilização ocidental-cristã: a indústria da morte criada pela Alemanha nazista.

Como pode uma filha de sobreviventes do Holocausto defender opiniões tão pouco simpáticas ao povo judeu?

As minhas críticas à política israelense são proporcionais ao meu amor pelo meu povo e seu futuro. Faço parte do povo judeu e, como tal, estou convencida de que não teremos um futuro seguro enquanto dependermos da superioridade militar. Nossa condição étnica particular não pode levar-nos a um comportamento grupal que inflija dor e sofrimento aos outros. A auto-crítica e a crítica dos regimes opressivos são valores judaicos antigos dos quais me orgulho.

Como jornalista e cidadã, o que você sonha para o futuro do seu povo e do seu país?

A experiência me ensinou a ser modesta até nos sonhos. Minha esperança é que meu povo perceba, antes que seja tarde demais, que a superioridade militar não garante a segurança e a vida normal na região. Paz e justiça não são incompatíveis. Será fácil estabelecer a paz na região a partir do momento em que rompamos com a política de exclusão imposta aos palestinos desde a criação do Estado de Israel em 1948."

Pra ler toda a entrevista: http://www.amalgama.blog.br/
Mais sobre o conflito nos blogs: Diário do Oriente Mésio: http://blog.estadao.com.br/blog/chacra/
e no Biscoito Fino e a Massa: http://www.idelberavelar.com/

4 comentários:

Mônica disse...

Realmente, Socorrinho tem o dom de pescar excelentes textos e graças a Deus costuma compartilhar os achados com os colegas. É impressionante a postura da jornalista israelense, que conseguiu a façanha de conquistar o respeito dos palestinos. O massacre que ocorre na Faixa de Gaza é uma barbaridade e só exemplos como esse de Amira Hass pra nos devolver a fé no ser humano. Parabéns Socorro.

Jadson disse...

Posição digna e combativa da jornalista israelense Amira Hass. Admirável.
Pena que nossa mídia não beba em águas limpas como essa. Continua distorcendo, o que representa mais um tipo de bombardeio contra os palestinos. Usam expedientes sujos para tentar baralhar o entendimento das pessoas diante das barbaridades do exército de Israel. Agora, neste último massacre, já ouvi na nossa imprensa, por exemplo, que "os palestinos se debatem desesperados entre as bombas de Israel e o Hamas". É como se o Hamas fosse um bando de tresloucados, os radicais, os fundamentalistas, como diz a nossa grande imprensa, repetindo os chavões das agências de notícias. Ora, o Hamas é o povo palestino organizado, tanto em armas, como institucionalmente, inclusive ganhou as últimas eleições parlamentares.
Hoje, dia 6, pelo menos não teve como escamotear, a mídia teve de noticiar o bombardeio de duas escolas na Faixa de Gaza, mantidas pelas Nações Unidas, matando crianças palestinas.
Porém, a verdade cristalina é sempre omitida: o governo de Israel, com um exército super armado, é o agressor, ocupa o território alheio, sempre com a cobertura do império norte-americano. Esta verdade, simples, básica, é escondida do grande público.

eeer disse...

Israel tá mais q certo !!!
israel não é brasil pra levar pau no meio do cú dos chavez,venezuelanos e do equador q passou a perna no brasil.israel tem q revidar,não foi israel q começou foram os palestinos.
Brasil foi invadido por cuba em década de 60 ou 70 e ngm fala isso, e se cagaram de medo de um país do tamanho de vaticano.

quilombonnq disse...

REVOLUÇÃO QUILOMBOLIVARIANA !
A COMUNIDADE NEGRA AFRO-LATINA BRASILEIRA
APOIA E É SOLIDARIA AO POVO PALESTINO.VIVA A PALESTINA!
Viva! Chàvez! Viva Che!Viva! Simon Bolívar! Viva! Zumbi!
Movimento Chàvista Brasileiro

Manifesto em solidariedade, liberdade e desenvolvimento dos povos afro-ameríndio latinos, no dia 01 de maio dia do trabalhador foi lançado o manifesto da Revolução Quilombolivariana fruto de inúmeras discussões que questionavam a situação dos negros, índios da América Latina, que apesar de estarmos no 3º milênio em pleno avanço tecnológico, o nosso coletivo se encontra a margem e marginalizados de todos de todos os benefícios da sociedade capitalista euro-americano, que em pese que esse grupo de países a pirâmide do topo da sociedade mundial e que ditam o que e certo e o que é errado, determinando as linhas de comportamento dos povos comandando pelo imperialismo norte-americano, que decide quem é do bem e quem do mal, quem é aliado e quem é inimigo, sendo que essas diretrizes da colonização do 3º Mundo, Ásia, África e em nosso caso América Latina, tendo como exemplo o nosso Brasil, que alias é uma força de expressão, pois quem nos domina é a elite associada à elite mundial é de conhecimento que no Brasil que hoje nos temos mais de 30 bilionários, sendo que a alguns destes dessas fortunas foram formadas como um passe de mágica em menos de trinta anos, e até casos de em menos de 10 anos, sendo que algumas dessas fortunas vieram do tempo da escravidão, e outras pessoas que fugidas do nazismo que vieram para cá sem nada, e hoje são donos deste país, ocupando posições estratégicas na sociedade civil e pública, tomando para si todos os canais de comunicação uma das mais perversas mediáticas do Mundo. A exclusão dos negros e a usurpação das terras indígenas criaram-se mais e 100 milhões de brasileiros sendo estes afro-ameríndios descendentes vivendo num patamar de escravidão, vivendo no desemprego e no subemprego com um dos piores salários mínimos do Mundo, e milhões vivendo abaixo da linha de pobreza, sendo as maiores vitimas da violência social, o sucateamento da saúde publica e o péssimo sistema de ensino, onde milhões de alunos tem dificuldades de uma simples soma ou leitura, dando argumentos demagógicos de sustentação a vários políticos que o problema do Brasil e a educação, sendo que na realidade o problema do Brasil são as péssimas condições de vida das dezenas de milhões dos excluídos e alienados pelo sistema capitalista oligárquico que faz da elite do Brasil tão poderosa quantos as do 1º Mundo. É inadmissível o salário dos professores, dos assistentes de saúde, até mesmo da policia e os trabalhadores de uma forma geral, vemos o surrealismo de dezenas de salários pagos pelos sistemas de televisão Globo, SBT e outros aos seus artistas, jornalistas, apresentadores e diretores e etc.
Manifesto da Revolução Quilombolivariana vem ocupar os nossos direito e anseios com os movimentos negros afro-ameríndios e simpatizantes para a grande tomada da conscientização que este país e os países irmãos não podem mais viver no inferno, sustentando o paraíso da elite dominante este manifesto Quilombolivariano é a unificação e redenção dos ideais do grande líder zumbi do Quilombo dos Palmares a 1º Republica feita por negros e índios iguais, sentimento este do grande líder libertador e construí dor Simon Bolívar que em sua luta de liberdade e justiça das Américas se tornou um mártir vivo dentro desses ideais e princípios vamos lutar pelos nossos direitos e resgatar a história dos nossos heróis mártires como Che Guevara, o Gigante Osvaldão líder da Guerrilha do Araguaia. São dezenas de histórias que o Imperialismo e Ditadura esconderam. Há mais de 160 anos houve o Massacre de Porongos os lanceiros negros da Farroupilha o que aconteceu com as mulheres da praça de 1º de maio? O que aconteceu com diversos povos indígenas da nossa América Latina, o que aconteceu com tantos homens e mulheres que foram martirizados, por desejarem liberdade e justiça? Existem muitas barreiras uma ocultas e outras declaradamente que nos excluem dos conhecimentos gerais infelizmente o negro brasileiro não conhece a riqueza cultural social de um irmão Colombiano, Uruguaio, Venezuelano, Argentino, Porto-Riquenho ou Cubano. Há uma presença física e espiritual em nossa história os mesmos que nos cerceiam de nossos valores são os mesmos que atacam os estadistas Hugo Chávez e Evo Morales Ayma,Rafael Correa, Fernando Lugo não admitem que esses lideres de origem nativa e afro-descendente busquem e tomem a autonomia para seus iguais, são esses mesmos que no discriminam e que nos oprime de nossa liberdade de nossas expressões que não seculares, e sim milenares. Neste 1º de maio de diversas capitais e centenas de cidades e milhares de pessoas em sua maioria jovem afro-ameríndio descendente e simpatizante leram o manifesto Revolução Quilombolivariana e bradaram Viva a,Viva Simon Bolívar Viva Zumbi, Viva Che, Viva Martin Luther King, Viva Osvaldão, Viva Mandela, Viva Chávez, Viva Evo Ayma, Viva a União dos Povos Latinos afro-ameríndios, Viva 1º de maio, Viva os Trabalhadores e Trabalhadoras dos Brasil e de todos os povos irmanados.
O.N.N.QUILOMBO –FUNDAÇÃO 20/11/1970
quilombonnq@bol.com.br